Tacacá em Paris, pato no tucupi em Tóquio — a culinária paraense que está conquistando o mundo
Chefs paraenses abrem restaurantes em capitais europeias e asiáticas levando os sabores da Amazônia para mesas de todo o mundo. O jambu virou ingrediente do momento nas cozinhas de alta gastronomia.
A culinária do Pará chegou onde poucos esperavam — e está ficando.
Em 2026, pelo menos 14 restaurantes de culinária paraense operam fora do Brasil, em cidades como Paris, Lisboa, Tóquio, Miami e Amsterdam. Cinco deles abriram nos últimos 12 meses, sinalizando uma tendência que ultrapassa o nicho da gastronomia brasileira no exterior.
O que está indo para fora
O jambu — a erva característica do norte do Brasil que provoca uma leve dormência na língua — tornou-se o ingrediente amazônico do momento na alta gastronomia global. Chefs europeus com estrela Michelin o incluem em menus degustação. A erva fresca, antes impossível de exportar, agora chega liofilizada e em pó para cozinhas de três continentes.
O tacacá também está nas prateleiras das diásporas brasileiras no exterior — mas sua versão adaptada, com caldo de tucupi engarrafado e goma de tapioca desidratada, começa a aparecer em restaurantes não-brasileiros em Paris e Lisboa.
O pato no tucupi, prato símbolo do Círio de Nazaré, foi eleito pela revista Food & Wine como um dos "pratos mais únicos do mundo" em sua edição de março de 2026 — a primeira vez que um prato paraense aparece na lista.
O nome por trás da expansão
A chef Ana Luíza Trajano (sem relação com a homônima paulistana), natural de Belém, abriu o restaurante Marajó em Paris em fevereiro de 2026. O restaurante esgota reservas com três semanas de antecedência.
"A cozinha amazônica tem o que nenhuma outra cozinha do mundo tem: ingredientes que o resto do planeta está descobrindo agora. Estamos décadas à frente sem saber." — Ana Luíza Trajano.
O impacto em Belém
O interesse externo elevou o perfil da gastronomia local. O Ver-o-Peso registrou aumento de 28% no número de visitantes estrangeiros no primeiro trimestre de 2026. A Prefeitura de Belém criou o Selo Cozinha Paraense Autêntica, concedido a estabelecimentos que usam ingredientes locais e técnicas tradicionais.
O SENAC Pará abriu 400 novas vagas em cursos de gastronomia amazônica para 2026 — com espera de seis meses.
Para provar em Belém
- Manjar das Garças — Ver-o-Peso, tradicional desde 1997
- Remanso do Bosque — referência em cozinha autoral amazônica
- Lá em Casa — clássico da culinária paraense há mais de 40 anos
- Estação das Docas — complexo gastronômico na orla
Fontes: ABRASEL-PA, Prefeitura de Belém, revista Food & Wine (edição mar/2026)
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