Seis meses após a COP30 em Belém, o que mudou para a Amazônia
Em novembro de 2025, Belém sediou a COP30 e colocou a Amazônia no centro das negociações climáticas globais. Seis meses depois, um balanço do que foi prometido, o que avançou e o que ainda está no papel.
Em novembro de 2025, o mundo olhou para Belém. Mais de 190 países enviaram delegações para a COP30 — a 30ª Conferência das Partes do Clima da ONU —, que pela primeira vez foi realizada na Amazônia. Seis meses depois, o que de fato mudou?
O que foi prometido em Belém
A COP30 resultou em três compromissos centrais:
- O Pacto de Belém — 134 países se comprometeram a triplicar a capacidade de energia renovável até 2030 e encerrar gradualmente os subsídios a combustíveis fósseis
- Fundo Amazônia Global — criação de um fundo de US$ 12 bilhões para financiar a proteção de florestas tropicais em 9 países, gerido conjuntamente por Brasil, Indonésia e Congo
- Meta de desmatamento zero — 80 países signatários se comprometeram com desmatamento líquido zero em florestas tropicais até 2035
O que avançou
Fundo Amazônia: O fundo já recebeu US$ 3,8 bilhões em comprometimentos formais. Os primeiros projetos foram aprovados em março de 2026: 12 projetos de bioeconomia no Pará, Amazonas e Mato Grosso, totalizando R$ 890 milhões em investimentos.
Desmatamento: Os dados do INPE para o primeiro trimestre de 2026 mostram queda de 29% no desmatamento na Amazônia Legal em relação ao mesmo período de 2025 — a maior redução trimestral registrada.
Economia verde: O Pará registrou R$ 1,2 bilhão em novos contratos de crédito de carbono nos primeiros quatro meses de 2026, ante R$ 380 milhões no mesmo período de 2025.
O que ainda está no papel
Financiamento climático: O compromisso histórico de US$ 300 bilhões por ano para países em desenvolvimento — acordado na COP29 — ainda não foi operacionalizado. Apenas US$ 42 bilhões foram efetivamente desembolsados até abril de 2026.
Transição de combustíveis fósseis: Nenhum dos 20 maiores produtores de petróleo que assinou o Pacto de Belém apresentou plano concreto de redução de produção.
O legado para Belém
Para além das negociações, a COP30 deixou marcas físicas na cidade: o Parque da COP30, inaugurado às margens do Rio Guamá, a ampliação da orla do Hangar e melhorias no aeroporto. A cidade recebeu 42 mil visitantes credenciados e estima-se impacto econômico direto de R$ 680 milhões.
O turismo em Belém cresceu 61% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Ministério do Turismo.
Fontes: UNFCCC, INPE, Ministério do Turismo, governo do Pará
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